Passados que são dez dias após o regresso de forçada paragem, e dez meses depois de ter iniciado esta Formação, continuo a gostar de chegar cedo ao Centro.
Gosto do silêncio e da frescura da manhã. No estacionamento, pejado de pedras soltas e verdadeiras crateras, fico alguns minutos a escutar parte das notícias da manhã. Muitas vezes a meditar no funcionamento de tão grande Instituição Nacional.
Reflicto sobre os métodos aplicados para formar... No nosso caso específico, futuros Técnicos de Nível 3. Não fica tão-pouco fora da análise, o funcionamento deste Centro, como entidade formadora.
Hoje mesmo, uma dessas tais manhãs, o olhar voltou a fixar-se naquele velho camião.
Tive então no sossego do alvorecer, a revelação do que faz ali há tantos anos, aquele veículo degradado.
Enraizado profundamente no local, é nem mais nem menos que o ex-líbris deste Centro de Formação.
Todo ele é o reflexo fiel da Instituição. Ali está ele, dando a ilusão a quem do lado de fora o vê, que funciona. Quando na verdade não passa de uma máquina decrépita. As portas fechadas, mas com vidros partidos, deixam entrar a intempérie, que a mina por dentro. Ainda assim resiste no local, inoperante, ineficaz. Instalada no seu posto, que lhe proporciona um assegurado envelhecer, longe das vulgares sucatas, e da justa reciclagem.
Com o futuro assegurado, estática, a máquina, olha de soslaio... indiferente ao passar dos Formadores, e dos Formandos.
Resta-me o bálsamo, de que um dia ruirá sobre si mesma, apodrecida...
LUÍS CONTUMÉLIAS